Cabeça feita

Quero Inovar

Artigo - 21 de julho de 2021

Por Sebrae-SP  | Conte sua história, empreendedorismo

Caio Pereira de Souza, da Kabelera, buscou formação universitária para empreender

“Eu estava no segundo ano do curso de administração em uma faculdade tradicional de São Paulo, mas me sentia insatisfeito, porque eu queria ter o meu próprio negócio, mas não estava aprendendo o que precisava. Foi quando minha irmã me chamou para conversar e perguntou: ‘Por que você quer esse diploma?’ E foi aí que eu refleti e vi que, na verdade, eu queria abrir um negócio.

Um dia, enquanto eu usava Spotify, ouvi a propaganda da Escola Superior de Empreendedorismo do Sebrae-SP. Decidi pesquisar sobre a faculdade, me interessei pela proposta da ESE e acabei pedindo transferência. Foi a melhor escolha da minha vida, pois eles sempre me incentivaram a ter o meu próprio negócio. Nossa startup, minha e do Calebe (Serzedello de Souza), meu sócio, começou um projeto da faculdade e entrou para a incubadora do Sebrae, onde os professores sempre estavam dispostos a ajudar.

Eu e o Calebe somos do ABC e nos conhecemos na faculdade do Sebrae. Minha amizade com o Calebe sempre foi muito boa, fazíamos tudo juntos e as pessoas até brincavam quando me viam sozinho. Antes de a Kabelera ser criada, já tínhamos um projeto em andamento, uma startup que chegou a ser incubada no Sebrae. Estávamos em um período de conflito, pois nossa startup precisava que estivéssemos 100% dedicados. Mas, no final, não estava mais dando certo, pois não tínhamos tempo hábil para nos dedicar. Por isso, pensamos em outro projeto.

A Kabelera foi criada a partir de uma necessidade minha, já que um dia fui fazer um trabalho como freelancer em um evento que envolvia comida e me pediram para usar algum boné já que íamos mexer com alimentos. Eu, por ter cabelo black, não queria usar o boné para não prejudicar o meu cabelo. Perguntei para a empresa se o boné que eles me deram seria meu e eles falaram que sim. Foi aí que tive a ideia de cortar a parte de trás do boné, para
não danificar meu cabelo, e o usei para trabalhar. Assim que eu cheguei em casa, me senti muito feliz, mesmo tendo trabalhado 12 horas naquele dia. Depois de muito tempo, eu estava feliz por, finalmente, ter usado um boné como acessório.

Foi quando eu pensei que, assim como eu, outras pessoas poderiam ter a mesma dificuldade ao usar um boné tradicional. Começamos a levar alguns bonés do projeto da Kabelera para as ruas e perguntar para as pessoas com tranças ou cabelo black o que tinham achavam. Todas elas nos deram feedbacks positivos. Assim, nós decidimos seguir com o projeto da Kabelera e pedimos a participação do meu cunhado, George Luis Donatti, hoje responsável pela parte financeira.

No primeiro mês da nossa marca, uma cliente que mora no Japão entrou em contato para comprar conosco, o frete era altíssimo, mas ela estava disposta a pagá-lo. Foi nesse momento que vimos o poder do nosso produto. Foi extremamente gratificante ver o nosso boné chegando ao outro lado do mundo e sendo um sucesso nas vendas.

Com a pandemia, tivemos um problema com o fornecedor. Tínhamos demandado a criação dos nossos bonés e todo o valor já estava pago, mas nossa matéria-prima, que vem da China, foi bloqueada com o fechamento da fronteira e não tínhamos como produzi-los nem ter o dinheiro de volta. Nesse período, todos os bonés que estavam no site foram vendidos e tivemos de parar o site para não ter problemas de entregas com os clientes. No final, conseguimos trocar de fornecedor e voltar com as compras online normalmente.

O mais incrível de tudo isso é o retorno que recebemos de nossos clientes. Não apenas elogios sobre o produto, mas também histórias sobre a vida e o uso dos bonés. Eu agradeço a todos os professores da ESE que nos ajudaram e incentivaram, e também deixo um conselho para as pessoas que desejam seguir os seus sonhos: acredite e vá atrás. Tudo tem jeito!”