Como é empreender depois dos 50 anos em um mercado dominado por homens

Quero ser um empreendedor melhor

Artigo - 5 de maio de 2021

Por Sebrae-SP  | empreendedorismo, Tecnologia

Beatriz Ayrosa, da Becabiz Marketing de Relacionamento, contou como é estar fora dos padrões dessa área

Alguns mercados costumam ser dominados por profissionais de um determinado perfil. Assim é o setor de tecnologia, em que homens e jovens são maioria. Mas, para Beatriz Ayrosa, cofundadora e CEO da Becabiz Marketing de Relacionamento, esse estereótipo não representou nenhum impedimento. Ela contou para o Jornal de Negócios sobre como é estar fora dos padrões dessa área, a sua jornada ao empreender após os 50 anos e também como a análise de dados dos clientes pode ser uma ferramenta poderosa para os pequenos negócios.

Como foi sua experiência de deixar a carreira em uma grande empresa para começar a empreender?

Confesso que não foi algo planejado, mas foi como uma semente que foi se desenvolvendo dentro de mim. Eu via essas mudanças pelas quais o mundo está passando, com startups abrindo e muitas pessoas empreendendo, o que me deixava em dúvida de por que eu não estava fazendo isso também. Um dia, decidi que queria ser mais dona do meu tempo, fui ao presidente da agência em que trabalhava e falei que queria tentar ter meu próprio negócio. Ele me incentivou. O pior que poderia acontecer seria voltar e pedir emprego em uma área em que eu já estava confortável. Devo admitir que estou bem satisfeita com os resultados atuais da Becabiz.

Como foi sua trajetória no mercado de tecnologia, conhecido por ser dominado por homens?

Algumas vezes você não percebe determinadas situações. Hoje isso é muito falado, mas quando eu comecei não havia muito a consciência de que é pequena a presença feminina nos setores de tecnologia. Sempre trabalhei na área de CRM e database marketing, que demanda muita tecnologia, mas sempre estive mais próxima de uma demanda específica das empresas. Então, sim, todas as minhas interfaces foram masculinas, mas isso nunca foi um problema. Sempre tive sorte de trabalhar com pessoas que respeitavam isso, mas estar nesse mercado também é uma questão de se impor, não dá para ficar passiva em um ambiente, independentemente do tipo de toxicidade que esteja presente nesse local. É sempre importante cada um conseguir levantar a mão e tentar mudar, ou, caso isso não seja possível, sair desse ambiente.

Além disso, esse setor é visto com um público mais jovem. Como você se sente por empreender com tecnologia após os 50 anos?

Isso sempre foi o meu diferencial competitivo. A bagagem que consigo trazer para um projeto, a pessoa dos seus 20 e poucos anos muitas vezes ainda não adquiriu. Quando olho para um projeto, essa experiência me permite identificar em que ponto ele terá problemas, seja por políticas da empresa ou pela cultura das pessoas. Isso não tem nada a ver com tecnologia. Dessa forma, sempre é possível estar preparada para lidar com essas questões. Eu sinto que as pessoas mais jovens têm um pouco de dificuldade de definir quais necessidades precisam ser atendidas por esses sistemas. A tecnologia não é o fim, ela é o meio. Então hoje, nossos clientes nos procuram para ter essa consultoria mais sênior para os negócios.

Como funciona a análise de dados para os negócios? Como pode ser importante para as pequenas empresas?

Nós trabalhamos com CRM, utilizamos a análise de dados para conhecer melhor os clientes, em vez do business inteligence, que tem o foco em gerar informações para gestão de um negócio. Nós nos focamos muito no consumidor. Imagine uma empresa de resgate de pontos: para quem participa com mais frequência, eu preciso falar sobre o resgate dos produtos; para quem é novato, é preciso falar sobre a aquisição desses pontos. Os resultados para as empresas são gerados quando você entende com quem está falando. Os pequenos negócios podem começar a olhar os produtos que oferecem e identificar quais deles são mais aderentes com cada um dos públicos que atendem atualmente.

Como uma pequena empresa pode começar a investir em análise de dados?

A primeira coisa que precisam fazer é obter dados de forma organizada e com um padrão definido. Faça isso pedindo a menor quantidade de informações possível, porque ninguém gosta de preencher um questionário gigante. Tenha um repositório único desses dados; por exemplo, se o cliente fez uma compra, acionou o SAC para fazer uma reclamação e depois comprou outra coisa, esses dados precisam estar ligados ao perfil do consumidor. Isso permite olhar para uma pessoa e entender todas a interações dela. E as dicas mais importantes seriam definir quais serão os objetivos desses dados e levar muito a sério a questão da Lei Geral de Proteção de Dados.