Como fazer seu negócio ser digital na prática

Quero minha empresa na internet

Artigo - 10 de fevereiro de 2021

Por Sebrae-SP  | Negócio digital, Tecnologia

Muito mais do que criar perfis nas redes sociais, transformação digital exige objetivos, estratégias e escolhas por ferramentas corretas

As restrições do dia a dia e o distanciamento social impostos pela pandemia do novo coronavírus vêm desafiando os empreendedores há quase um ano. Se antes da Covid-19 boa parte do atendimento era exclusivamente presencial, hoje são necessárias alternativas para seguir faturando. E muitas dessas soluções passam pela transformação digital dos negócios, que foi acelerada nesse período.

Mas, afinal, o que é a transformação digital? A consultora de marketing do Sebrae-SP Ariadne Mecate explica que se trata do processo de usar a tecnologia para resolver um problema e trazer melhores resultados para a empresa, seja ela de qualquer porte ou segmento. No entanto, ela ressalva que não basta apenas decidir usar uma tecnologia, mas sim incorporar essa mudança na cultura e comportamento do empreendimento.

“Os empreendedores precisam querer que a transformação aconteça, que essa melhoria avance. Para isso, precisam levar essa importância de usar a tecnologia e suas vantagens para o negócio e fazer com que se torne uma prática diária para os colaboradores.” A especialista explica ainda que não basta criar perfis nas redes sociais, pois a transformação digital vai muito além de novos canais.

“A empresa pode querer otimizar seus processos, aumentar os canais de vendas, melhorar a experiência do cliente ou a produtividade e eficiência dos negócios. É necessário entender quais são os objetivos, definir a estratégia e, aí sim, decidir a ferramenta mais adequada. Quando todos entendem a importância desses pontos, trabalham isso na cultura da empresa e os clientes percebem o valor em tudo o que está sendo feito. É aí que a transformação digital acontece.”

Pesquisa realizada pelo Sebrae e Banco Mundial com 1.677 donos de micro e pequenas empresas mostra que o impulsionamento da digitalização causado pela pandemia facilitou processos e operações. Das empresas consultadas, 22% passaram a usar plataformas digitais, enquanto 60% que já faziam uso intensificaram suas ações. O uso principal se deu nas áreas de marketing (70% das empresas da amostra) e vendas (56%).

As entregas de produtos e serviços foram digitalizadas em 32% das empresas; 29% digitalizaram partes da gestão do negócio; e 25% digitalizaram formas de paga- mento. Houve também o uso digital para outras funções de gestão: 12% digitalizaram o gerenciamento de fornecedores e 10% digitalizaram o planejamento da produção.

Quanto ao faturamento, entre as empresas que iniciaram o uso com a pandemia, as plataformas digitais respondem por 22% do faturamento. Entre as empresas que já faziam uso antes e intensificaram durante a pandemia, essa modalidade responde por 34% do faturamento em média.

DNA
Pensando justamente nos objetivos e estratégias do negócio, a Balance Fisioterapia já nasceu com o DNA digital em agosto de 2017, em Moema, na Zona Sul de São Paulo. Mesmo realizando atendimentos 100% presenciais, a empreendedora Giulianna Ferrero conta que sempre estudou muito sobre marketing digital e via nos conceitos a solução para a conquista de novos clientes.

A princípio, produzia conteúdo para seus perfis no Facebook e Instagram, além de anúncios direcionados via Google Ads. Deu tão certo que o aumento de clientes atrelado à limitação física do espaço fez com que abrisse uma filial na Vila Clementino, também na Zona Sul da capital paulista, trazendo novidades como com aulas de pilates. Tudo ia bem, até que a pandemia chegou.

Apesar do sucesso na busca por clientes online, o atendimento totalmente presencial foi o maior desafio. “Colocamos muito as mãos nos pacientes durante os exercícios. Não sabíamos por quanto tempo ficaríamos fechadas e isso nos causava muita aflição, até por- que nossos pacientes neurológicos não podiam ficar parados por muito tempo. Foi aí que utilizamos o digital para seguir como nosso negócio, propondo atendimento 100% online.”

Giulianna explica que expôs a realidade aos pacientes e sugeriu as aulas online, a princípio, como teste. A maioria topou e, juntos, venceram as limitações da distância para seguirem evoluindo nos tratamentos. “Teve paciente que até preferiu o online, já que assumiu que nos usava como ‘muletas’ para não realizar um exercício corretamente. Mas estando em casa, sozinho, precisava se empenhar mais”, relembra.

A empreendedora também deixou a timidez de lado e passou a produzir conteúdo em vídeo para outros perfis de redes sociais. Criou uma conta no Tik Tok, perfis no LinkedIn e Pinterest, canal no YouTube, enriqueceu o conteúdo do site e aprimorou o atendimento humanizado pelo WhatsApp.

“Gostamos muito das ideias do mundo digital. Passamos a fazer lives teóricas e de exercícios e a aceitação do nosso conteúdo foi muito positiva.” A empresa atuou de forma 100% online durante os meses de março a maio de 2020, passando depois para um modelo híbrido. Como resultado, tiveram no último mês de outubro o maior faturamento da história da empresa, além de igualarem os números de novembro e dezembro com os de 2019, antes da crise.

“Hoje deixamos de ser uma empresa de São Paulo para atender a todo o Brasil de forma online. A transformação digital permitiu nos conectarmos com mais pessoas, extrapolar fronteiras e nos mantermos vivos e fortes durante a pandemia”, comemora a empreendedora, que, em 2021, ainda pretende aprimorar o atendimento online com inteligência artificial no suporte aos exercícios a distância.

NASCIMENTO DIGITAL
Criada pela necessidade de renda e atrelada à vontade de ter o próprio negócio, a Kyro’s Burger nasceu no auge da pandemia, em março de 2020, pelas mãos do casal Wilson e Bruna Freitas.

Ele, professor desempregado após um acidente de trânsito que exigiu um tempo de recuperação; ela, pedagoga, estagiária de órgão público. Ambos enxergaram a oportunidade da realização de um sonho utilizando o digital como o principal meio de divulgação da hamburgueria instalada na cozinha da residência, no modelo dark kitchen (modelo de restaurante que apenas oferece comida para viagem), na Cohab II, em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo.

De olho no objetivo da empresa e no público-alvo – jovens de 16 a 35 anos –, passaram a estudar os conceitos de marketing digital, finanças e técnicas de gestão com o Sebrae-SP. Hoje contam com site próprio, perfis no Facebook, Instagram, Google Meu Negócio e trabalham bastante nas redes sociais com influenciadores da comunidade e depoimentos de clientes.

“Aprendemos sobre a importância de boas fotos, informações do cardápio, horário de funcionamento bem claro, conteúdos nos stories e desta- ques do Instagram, além do valor das experiências dos clientes que marcam a Kyro’s. O feedback do cliente conosco é o verdadeiro marketing da nossa empresa”, comenta Wilson.

E o crescimento se deu muito rápido. Com um tíquete médio de R$ 70, cresceram cerca de 15% a 20% mensalmente desde a inauguração. Todos os pedidos são feitos pelo WhatsApp. “O coração da nossa empresa hoje são as tecnologias. Se elas não existissem, a empresa não existiria”, comenta Bruna.

O negócio está dando tão certo que o casal já pensa em abrir um novo negócio com foco na culinária mexicana utilizando as ferramentas digitais. “Gosto de trabalhar com alimentos e estudo bastante sobre culinária. Me sinto um curioso da comida rápida e quero aplicar algo no bairro que seja diferente do que já existe”, revela Wilson.

Outra empresa que deu seus primeiros passos na crise foi a WH.igienização, em maio de 2020. Criada pelo também casal Wellington e Heloísa Costa, a empresa, com sede na Vila Andrade, Zona Sul de São Paulo, viu na pandemia a oportunidade para oferecer higienização na casa das pessoas.

Apesar de não conhecerem esse tipo de serviço antes, estudaram o mercado, ferramentas e técnicas necessárias, se aperfeiçoaram em gestão, conheceram estratégias de marketing digital com o Sebrae-SP e seguem crescendo em média 40% no faturamento mês a mês, tanto por meio de indicação de clientes, quanto pelos resultados das ferramentas digitais.

“Usávamos as redes sociais antes apenas de forma pessoal. Não sabíamos nada sobre palavras-chave, horário correto para divulgação e até mesmo o que era relevante publicar. Agora produzimos conteúdo relevantes nos perfis no Facebook e Instagram e operamos o WhatsApp Business no atendimento aos nossos clientes, além do Google Meu Negócio”, comenta Wellington.

“Hoje o mundo é digital e as ferramentas se tornaram fundamentais. Conseguimos atingir um público que só com o boca a boca, indicações e panfletos não seria possível”, conclui Heloísa. Para a consultora Ariadne Mecate, a transformação digital é um caminho sem volta porque é sempre contínua.

“À medida que os empreendedores melhoram e atualizam algo, os clientes gostam e pedem mais. Com isso os resultados vão aparecendo, os empresários se animam e vão fazendo a transformação digital constantemente, já que a empresa é um organismo vivo e se atualiza conforme o mercado”, finaliza.

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