Diversidade e oportunidades: conheça a TransEmpregos

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Artigo - 29 de janeiro de 2021

Por Sebrae-SP  | Diversidade, quadro de funcionários

Maite Schneider fala sobre como o projeto busca incluir o público trans no mercado de trabalho

A TransEmpregos é um banco de currículos e vagas com o objetivo de incluir pessoas trans no mercado de trabalho formal. Desde sua criação, em 2013, muita coisa mudou. Novas frentes foram criadas e, de acordo com Maite Schneider, uma das idealizadoras do projeto, as pessoas vêm desenvolvendo mais empatia e compreensão sobre as questões de diversidade.

Para o futuro, seu objetivo é expandir sua atuação, mas nunca esquecendo a meta: fazer com que seja natural a inclusão desse público no mercado de trabalho a ponto de a TransEmpregos não ser mais necessária.

Como atua a TransEmpregos?
A TransEmpregos começou em 2013 com o intuito de garantir emprego e dignidade para cidadãos e cidadãs excluídos do processo de seleção das empresas por terem uma identidade ou orientação diferente da maioria dos outros. Inicialmente, a TransEmpregos tinha como trabalho juntar currículos de pessoas trans do Brasil inteiro e apresentá-los nas empresas para contratações. Com o tempo, fomos percebendo que essa ação não era suficiente, pois as empresas não possuíam um ambiente acolhedor e que entendesse e respeitasse a diversidade que almejava incorporar no seu dia a dia.

Que tipos de serviços a TransEmpregos oferece?
Entre os serviços, estão a divulgação de vagas e oportunidades para pessoas trans, humanização de espaços e áreas para empresas de todos os tamanhos, palestras de conscientização para empresas e consultoria para cultura, missão, visão e valores mais inclusivos.

Tem havido mais empatia com as pessoas trans?
Com certeza, nem se compara. Hoje é muito diferente de quando começamos. A primeira empresa que empregou aqui pela TransEmpregos foi um motel. Hoje grandes empresas vêm atrás da gente. Converso com seis a dez empresas por dia. Passamos da empresa de número 500 a 600 em dois meses.

Como uma empresa anuncia vagas na TransEmpregos?
O primeiro passo é entrar no site transempregos.org. É importante ler a cartilha “Agora Vai” no site e conferir se a empresa está adaptada a questões como nome social do trabalhador ou se o uso do banheiro não vai ser um problema. Quando a empresa está pronta nós podemos divulgar a vaga. Depois que começamos a divulgar, elas já se tornam empresas parceiras. Após essas empresas divulgarem vagas e fazerem contratações, elas se tornam empresas transfriendly, pois são as que realmente estão abertas a talentos e têm filtros de seleção e recrutamento, em ambientes com segurança psicológica que respeitam a diversidade.

A TransEmpregos realizou com o Sebrae-SP uma turma só com pessoas trans. O empreendedorismo é um caminho buscado por esse público?
O empreendedorismo sempre foi um caminho. A TransEmpregos é voltada para o universo corporativo, para fazer pontes com pessoas que querem trabalhar no universo corporativo. Criamos um braço dentro da TransEmpregos porque há muita gente que não tem perfil ou não quer trabalhar no ambiente corporativo. Por isso, criamos o Empodera Trans, que é a primeira rede de empreendedorismo de pessoas trans do Brasil. Estamos com 122 empreendedoras trans para fortalecer sua rede de valores e aumentar a cadeia de stakeholders. A parceria com o Sebrae para fortalecer esse trabalho foi incrível. É uma instituição que tem projetos incríveis e sempre muito sérios. Quando me procuraram eu não pensei duas vezes. Foi um sucesso de público e quero uma segunda turma.

Como você vê o mercado para pessoas trans nos próximos anos?
A TransEmpregos completou sete anos em novembro e tínhamos o sonho de acabar com ela com 15 anos. Espero que consigamos isso e que as empresas tenham entendido que competência não tem a ver com identidade, orientação sexual, credo, raça, de onde a pessoa veio etc. Ao mesmo tempo, as especificidades de cada pessoa ajudam muito para melhores soft skills como resiliência, inteligência emocional e como gerir crises. Elas não podem ser fatores de segregação e exclusão.

Qual a perspectiva que você tem para a atuação do TransEmpregos?
O que desejo é fazer mais pontes, que as empresas nos conheçam e que possam ampliar esses filtros. Também estamos iniciando um projeto para fazer um aplicativo da TransEmpregos. Buscamos parcerias com empresas como Google para capacitação em soft skills, em habilidades digitais. Já temos quase duas mil pessoas fazendo essa capacitação. Também temos o objetivo de transformar a TransEmpregos em algo mundial – a Transjobs. Temos muitos planos de crescimento, mas a ideia é sempre crescer para acabar.

Qual mensagem você gostaria de deixar para os empreendedores?
Quem empreende precisa entender que a diversidade é a maior igualdade que a gente possui. Quanto mais diverso for o seu produto, mais diversificada forem as suas fontes de criação, você terá um melhor produto ou uma marca muito mais potente. Ao mesmo tempo, quando você entende o seu público-alvo de maneira mais inclusiva, você entende que pode ampliar os seus produtos, ampliar os seus serviços para que ele seja cada vez mais potente. Pessoas que entendem isso e põem em prática são pessoas que ganham inovação, criatividade e que entendem que não há limite para o crescimento.

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