Drinks sem álcool podem render bons negócios

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Artigo - 15 de janeiro de 2020

Por Sebrae-SP  | Alimentos & Bebidas, Consumo, Millennials, Tendências

Você já deve ter ouvido falar nos millennials, apelido da geração Y, aquela que nasceu entre o começo dos anos 1980 até 1995. Essa geração chegou já há um tempo ao mercado consumidor e tem sido promotora mudanças na maneira de consumir. A mais marcante delas, seria um comportamento guiado cada vez mais por propósito, sejam causas sociais, ambientais ou de saúde e bem-estar.

Consultorias de tendência no mercado consumidor têm apontado outra diferença significativa desse público em relação às gerações anteriores: menos disposição para sair de casa para as chamadas ‘baladas’ e bares. Esse público, entre 40 e 25 anos, especialmente os que estão na ponta mais jovem, consome menos álcool que seus antecessores.

De olho nesse perfil, o mercado já se movimenta para atender aos novos hábitos.Uma das mais conceituadas revistas de economia e negócios do mundo, a inglesa The Economist explorou em uma das suas recentes edições sobre como as empresas estão lidando com a tendência. “As grandes companhias de bebidas estão expandindo suas ofertas com baixo ou nenhum teor alcoólico, e isso se aplica a cerveja, vinho e licores. A inovação nesse campo hoje está florescendo. Quase 50% das marcas da Heineken, por exemplo, têm uma versão sem álcool. Em muitos países ocidentais essas alternativas ainda são novidade, mas as vendas vêm crescendo rapidamente. Na Alemanha e na Holanda, países que adotaram logo no início a prática, as cervejas sem álcool constituem 10% das vendas da bebida”, diz a reportagem.

Matéria publicada pelo UOL no Brasil cita que, “segundo a revista gastronômica Bon Appetit, o mercado de bebidas engarrafadas ‘no’ ou ‘low-alcohol’ deve crescer aproximadamente 32% entre 2018 e 2022 – o triplo do aumento registrado nos cinco anos anteriores. Líder no mercado de cervejas, a multinacional AB InBev quer que os rótulos sem ou pouco álcool representem pelo menos 20% das vendas mundiais de cervejas da empresa até 2025. Atualmente, essa parcela fica em torno de 8%”.

Já o site BBC News (da rede pública de comunicação do Reino Unido) também abordou a questão mostrando a ascensão dos bares dedicados ao público que não tem interesse – ou tem pouco interesse – em consumir bebidas alcoólicas, mas ainda querem socializar de alguma forma. Em São Paulo, já tem estabelecimentos que estão explorando esse nicho, seja voltado 100% a drinks sem álcool seja com ofertas de opções caprichadas de bebidas levam que pouco ou quase nada de álcool.

A consultora de negócios do setor de alimentação do Sebrae-SP Karyna Muniz lembra que os hábitos de consumo é que vão pautar os negócios, por isso, é importante estar atento às tendências. “No passado, as novidades que surgiam fora do Brasil demoravam muito para chegar por aqui. Com um mundo mais conectado, isso não acontece mais, tornando o impacto mais rápido. Por isso, vale observar o que está acontecendo globalmente, principalmente na oferta de novas tecnologias tanto ao consumidor atual quanto aos das novas gerações, buscando compreender como pensam os seus respectivos consumos”, diz Karyna.

Para o empreendedor interessado em apostar na tendência, a consultora dá algumas dicas:

1-Informação 
Sempre que falamos de tendência, falamos em comportamento do consumidor, logo, é bom ter um olhar mais aprofundado sobre as novas gerações e sobre como se comportam.

2-Socialização
Observar que essa tendência é uma nova forma de socialização. Hoje os jovens interagem muito mais remotamente, online, do que presencialmente. Logo, pesquise para tentar compreender como esse público se socializa e interage para poder oferecer produtos e serviços que atendam o novo comportamento, aos anseios e desejos dele.

3-Diversifique
Karyna aconselha ao empreendedor que pensa em atuar nesse segmento a explorar um mix de produtos, e não especializar 100% em um negócio – seja produto ou serviço – sem álcool. Não tem problema em nichar, mas é mais interessante você diversificar sua oferta para conseguir agregar e atender a diferentes demandas e interesses, atender a uma maior diversidade de consumidores, variedade maior de público, de diferentes gerações. “Negócios de nicho têm risco maior”, completa a consultora.

4-Imagem
A moda hoje é oferecer um espaço instagramável, ou seja, que renda boas fotos nas redes sociais. Karyna destaca que a falta de popularidade do álcool entre os jovens, em partes, se deve a esse comportamento de valorização da imagem nas redes sociais, e o estado alcoolizado não rende boas fotos, principalmente selfies.

5-Saúde e bem-estar
A rejeição ao álcool também está muito ligado a uma crescente preocupação com a saúde e o bem-estar. Por isso, se o foco for um bar sem álcool, considere também um cardápio de comidas que se encaixem nessa proposta.

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