Empreendedora trocou a carreira na engenharia pelo artesanato

Quero abrir minha empresa

Artigo - 15 de fevereiro de 2021

Por Sebrae-SP  | Artesanato, Sebrae Transforma

Marília Teles: mudança de postura transformou hobby em negócio

A engenheira mecânica Marília Teles trabalhava na fabricante de aviões Embraer até 2017, quando saiu da empresa e decidiu não mais atuar na área. Moradora de São José Campos, ela resolveu se ocupar com artesanato e a atividade escolhida foi o crochê. Em 2019, começou a ter aumento nas encomendas de suas peças e o que era hobby virou uma possibilidade de fonte de renda. Porém, Marília ainda não via seu afazer como um negócio.

Ela conta que tudo aconteceu muito rápido e em junho daquele ano começou a produzir amigurumi, como são chamados em japonês os bonecos de crochê. Dois meses depois de começar a produção de bonecos, ela participou do evento “Criativ@s em Pauta”, iniciativa do Sebrae em parceira com o Centro Cultural de São José dos Campos para ajudar pessoas que viviam do artesanato.

“Comecei a acompanhar as palestras do curso, fui me encontrando e entendendo o que estava acontecendo. As pessoas estavam falando coisas diferentes da indústria, falavam em ter propósito, uma coisa que eu sentia falta na minha antiga profissão”, afirma Marília.

A analista de negócios e especialista na área de economia criativa do Sebrae-SP Jenifer Botossi conheceu Marília quando o projeto come çou e relembra como foi o processo para transformar os bonecos de Marília em uma empresa. “Quando a conheci, ela ainda não tinha o artesanato como negócio. Ela ainda não estava tão focada no amigurumi; com o tempo fomos adaptando isso para se tornar um modelo de negócio”, conta Jenifer.

A analista do Sebrae-SP também conta que, durante esse período, Marília foi aplicando o que ouvia nas consultorias e nas palestras que fre- quentava. “Foi muito bacana que ao longo do Empreenda Rápido – programa do Sebrae-SP de qualificação do empreendedor – e participando do projeto de artesanato, ela construiu o modelo de negócio. A postura dela mudou muito durante esse período. Ela começou a enxergar a atividade como negócio”, explica Jenifer.

O comportamento da artesã foi fundamental. “Ela tinha muito receio de as pessoas não aceitarem ou julgarem o que fazia, mas ela passou a entender que aquilo poderia ser uma fonte de renda e deixar de ser apenas um hobby, o que vem acontecendo”, diz a analista.

“Eu já sabia a técnica para produzir os bonecos, mas ao longo do curso aprendi muitas coisas com outros artesãos. Foi assim que acabei conhecendo a Jenifer. Digo que ela é minha fada madrinha, porque me ajudou bastante a transformar a minha arte em negócio”, diz Marília.

Com o negócio bem encaminhado e estruturado, Marília explica que, para ela, o artesanato assumiu um propósito maior: impactar a vida de outras pessoas por meio do ensinamento. “Hoje tenho duas funcionárias e meu desejo é que elas aprendam a técnica para trabalhar por conta própria e viver com independência. Acredito que assim elas vão poder ter a sua renda, igual a mim. Escolhi capacitá-las para não seguir o pa- drão que sempre conheci dentro do mercado de trabalho.”

Com seu negócio progredindo, a empreendedora está convicta de que o artesanato e o empreendedorismo podem ser transformadores. “Tive coragem de romper um ciclo em que vivi por muito tempo. Se eu conseguir ensinar crochê para dez pessoas, e essas dez pessoas ensinarem mais dez, podemos mudar o mundo por meio do ensinamento e aprendizado”, acredita.

*Estagiário sob supervisão dos editores

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