Empreender pode ser uma opção de carreira

Quero Inovar

Artigo - 7 de julho de 2021

Por Sebrae-SP  | carreira, ensino, Oportunidades, Qualificação

Jovens com ensino superior encontram em um negócio próprio alternativa para o mercado de trabalho e conseguem inovar em áreas concorridas

Negócios criativos enfrentam desafios 

Ter o empreendedorismo como carreira profissional está cada vez mais no horizonte dos brasileiros, especialmente os mais jovens e aqueles que estão pensando em uma graduação. Os currículos de diversos cursos já contemplam disciplinas de empreendedorismo, mesmo os que não estão ligados à administração de empresas, como jornalismo, engenharia e carreiras da saúde. O perfil do empreendedor brasileiro também está mudando – pelo menos daqueles que encontraram uma oportunidade de mercado para abrir um negócio.

De acordo com última pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor), realizada no Brasil pelo Sebrae e pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), e divulgada em 2019, houve aumento na participação dos empreendedores mais jovens (de 18 a 24 anos) no mercado: de 18,9% em 2017 para 22,2% em 2018. Já a participação dos empreendedores com ensino superior completo subiu de 6% para 9,7% no mesmo período – um aumento de 61%.

A empreendedora Marcela Perle representa o perfil de um desses jovens com ensino superior que tinham como objetivo empreender de olho em uma oportunidade de mercado. Ela conta que desde os 10 anos de idade já se sentia à vontade no empreendedorismo. Produzia e vendia chinelos bordados com miçangas na escola, mais tarde se tornou representante de cosméticos e depois passou a comercializar também chocolate e pães de mel na vizinhança.

 

DESAFIO

A oportunidade também levou Breno Gomes a deixar o emprego de lado para empreender. Ele era estudante de administração e trabalhava há quatro anos como colaborador em uma empresa que oferecia o típico plano de carreira dos sonhos, mas um desafio na faculdade mudou o rumo da sua vida, em 2015.

Um amigo dele, estudante de design, precisou desenvolver um projeto de óculos de madeira. Transformou o desafio em seu trabalho de conclusão de curso para lançar o protótipo do modelo e contou com Gomes para a formatação e administração do negócio – que também se tornou o objeto de seu próprio TCC.

Assim nascia a Allfenas, empresa especializada em óculos, relógios e acessórios de madeira de descarte. “Utilizamos móveis antigos e sem uso, filetamos o material e damos vida ao que não tinha mais vida”, explica. Por praticamente cinco anos, os amigos foram sócios, mas em 2020 Breno adquiriu 100% do negócio.

Hoje, a empresa possui um e-commerce forte, porém também marca presença em lojas físicas, como a própria na cidade de Bauru e as franquias em São Paulo e Santa Catarina. O empreendedor conta que os clientes gostam de provar e sentir o produto. Muitos admiram tanto o conceito que chegam a doar móveis antigos e se emocionam ao ver a história daquelas peças ressignificadas.

“Recentemente, um armário colonial de 1979 rendeu 1.850 óculos”, comenta Gomes. São Paulo, o farmacêutico Renan Soares divide as suas atenções entre os plantões na Santa Casa do município e a Clinicare Serviços Farmacêuticos. O trabalho com carteira assinada ainda se faz necessário enquanto o empreendimento amadurece, já que iniciou as atividades na modalidade home care em março deste ano, e o consultório em maio.

Mas a intenção do empreendedor é viver apenas do próprio negócio em pouco tempo, aproveitando o nicho de mercado na região. “É o primeiro consultório farmacêutico da cidade. Para trabalhar como contratado, o mercado está muito saturado, então a saída é empreender inovando dentro da sua área de formação”, explica.

Para o professor da Escola Superior de Empreendedorismo – Sebrae–SP Charles Bonani, o mercado está em constante transformação com a utilização intensa de tecnologias, em especial as digitais, que têm modificado a forma como compramos ou consumimos produtos e serviços.

Mercados e funções estão desaparecendo, a exemplo das antigas locadoras de vídeo, que praticamente sumiram para dar lugar às plataformas de streaming. “Esse cenário impulsiona os estudantes e profissionais já graduados a explorarem oportunidades para criarem os seus próprios trabalhos tendo, assim, o empreendedorismo como opção de carreira”, comenta.

Pensando na cultura empreendedora para a formação dos novos profissionais, o Sebrae-SP realiza diversas parcerias com instituições de ensino superior de todo o Estado. Os estudantes têm a oportunidade de aprender sobre a gestão de uma empresa e seus principais conceitos de planejamento, marketing, finanças e formalização, bem como conhecer as tendências dos segmentos em que estão inseridos. No município de Itapeva mesmo, por exemplo, mais de mil alunos já foram capacitados em aulas de empreendedorismo aplicadas pelo Sebrae-SP.

Tanto que a Ieda Barros, estudante de farmácia também em Itapeva, pretende empreender após a conclusão do curso. Ela explica que o profissional farmacêutico pode atuar em mais de 130 especialidades, o que abre um leque imenso de oportunidades para empreender.

A exemplo do colega Renan Soares, a farmácia clínica enche seus olhos. “Empreender não é fácil, mas o desejo de independência, autorrealização e de contribuir para a melhoria da saúde da população é o que me motiva. ”

A estudante de administração Larissa Costa também pensa em empreender para mudar a vida das pessoas, só que no segmento de beleza e estética. Ainda em 2021 pretende realizar o curso de extensão de cílios para unir seus conhecimentos técnicos e de gestão aos da irmã, especialista em sobrancelhas. A intenção é começar abrindo um estúdio em casa para depois alçar voos mais altos. “Quero fazer a diferença na vida das pessoas. Até poderia como contratada em uma empresa, claro, mas quero fazer com as minhas regras, meus processos e a minha forma de trabalhar”, afirma.

INTRAEMPREENDEDOR

Mas não é só na hora de abrir um negócio próprio que as características do comportamento empreendedor são necessárias. Quem trabalha como funcionário em uma empresa pode se beneficiar da cultura empreendedora e se destacar no mercado.

Para a diretora da empresa de recursos humanos ManpowerGroup, Wilma Dal Col, há uma tendência crescente entre as empresas de buscarem candidatos com o perfil intraempreendedor, ou seja, aqueles que empreendem dentro da estrutura da empresa: protagonistas, ágeis, dispostos a aprender, menos reativos e mais agentes da ação efetiva.

“Muitas empresas têm dificuldade em encontrar profissionais em algumas posições pois procuram características empreendedoras, aquelas pessoas que não se conformam com um processo improdutivo, que buscam sempre mais eficiência e resultados”, explica. “Esse tipo de profissional agrega valor extremo para a organização, pois tem um senso de colaboração muito grande por entender que faz parte do negócio. Não encara suas atribuições como um trabalho, mas sim como um propósito de vida”, completa.

DIPLOMA DE EMPREENDEDOR

A Escola Superior de Empreendedorismo – Sebrae-SP oferece o curso de graduação em administração com foco em empreendedorismo. As matrículas para o segundo semestre já estão abertas com condições especiais. Aqueles que se matricularem até o dia 10 de setembro vão receber 60% de isenção nas mensalidades do 1º ao 4º semestre; 50% entre o 5º e o 6º; e 40% entre o 7º e 8º. As aulas se iniciam no dia 16 de agosto e acontecem de segunda a sexta.

No período matutino são das 8h20 às 12h e, no noturno, das 19h às 22h40. Para outras informações e inscrições, acesse www.ese.edu.br