Entrevista do mês: José Eduardo de Souza da Padaria Real

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Artigo - 13 de dezembro de 2021

Por Sebrae-SP  | Alimentos, Delivery, empreendedorismo

José Eduardo de Souza, da Padaria Real, conta como foi expandir mantendo o DNA da empresa

A fama da coxinha e dos pães da Padaria Real, de Sorocaba, há muito tempo já não se restringia à cidade onde foi fundada em 1957. Hoje com quatro lojas e dois cafés, a Real chegou a São Paulo com uma operação delivery no final de 2019 – e encarou todas as mudanças provocadas pela pandemia em um terreno novo. Com cerca de 800 funcionários no total, a padaria procura se estabelecer como uma empresa “humana” e acolhedora para clientes e colaboradores, conforme conta na entrevista a seguir o CEO da Real, José Eduardo de Souza, mais conhecido como Doia, filho de um dos fundadores da empresa, José Vicente de Souza.

 

A Padaria Real é muito tradicional em Sorocaba. Como surgiu a ideia de abrir uma filial em São Paulo?

Desde que eu me conheço por gente ouvimos de amigos, cliente e fornecedores que precisávamos ter uma Padaria Real em São Paulo. Sempre com comentários muito positivos sobre a cidade e o público de uma forma geral. No entanto, esse não era um plano porque nossa produção é toda em Sorocaba, e tínhamos em mente que nossas lojas precisavam estar sempre perto da nossa produção. Estar perto significa também manter a atuação próxima a nós, líderes e gestores da Padaria Real. Sempre acreditamos nisso, mas cinco meses antes da pandemia inauguramos a primeira cozinha em São Paulo, o nosso primeiro delivery na capital paulista. E, sim, nossa chegada foi um sucesso. Quando a pandemia começou, o delivery já estava muito bem e só cresceu nesse período. A ideia surgiu porque um primo que tinha um restaurante em São Paulo acabou fechando o estabelecimento e nos oferecendo o local. De fato, o ambiente tinha uma cozinha incrível, e logo nos encantamos pela oportunidade, mas chegamos à conclusão de que era pequeno para a nossa produção. Foi então que começamos a andar pelo bairro de Pinheiros e encontramos o local perfeito, onde estamos hoje com o delivery. 

 

Há muita diferença entre empreender em São Paulo, lugar com forte concorrência, e no interior?  

É diferente, sim, especialmente porque estamos falando de um volume de pessoas muito maior. Além disso, o bairro de Pinheiros também é uma região com um público muito exigente quanto à qualidade do alimento e quanto ao serviço. É uma região com grandes restaurantes, padarias etc. Por conta disso, nós desenhamos um processo de produção bastante rápido, algo que tem grande valor na região. Escolhemos um cardápio com produtos ícones da Padaria Real, sucessos de venda, e que podem ser preparados e entregues de forma ágil, mantendo a alta qualidade que sabemos oferecer e que esse público merece.

 

Como é a operação de um negócio que é apenas delivery? Isso muda a relação com o cliente?

É realmente diferente porque perdemos um pouco do olho no olho. Inclusive, como curiosidade, esse sempre foi um ponto de atenção na hora de iniciar a atuação no delivery, justamente porque acreditamos muito nessa relação próxima com os nossos clientes. Desde que a Padaria Real nasceu, sempre colocamos muito amor em nossas produções, nas relações que construímos com cada pessoa, seja cliente ou colaborador. Para suprir essa questão no delivery, nós tentamos trabalhar com recadinhos, surpresas, envio de novidades, enfim, algo criativo para tentar conseguir tocar esse cliente na maioria das vezes. Nem sempre conseguimos, mas é algo que fica muito no nosso radar. Outra forma que encontramos de nos manter conectados com esses clientes é por meio das nossas redes sociais. Temos uma preocupação muito grande em entregar amor, carinho, atenção com cada cliente. 

 

Por que a decisão de se posicionar como uma empresa voltada para inclusão e diversidade? 

Não foi uma decisão, foi algo que aconteceu justamente porque somos humanos. Olhamos para as pessoas com carinho, com atenção para aquilo que ela faz bem. O primeiro passo começou para atender à legislação. Aprendemos muito com esse movimento, colocamos muita atenção, muito interesse e muito amor. Enxergamos talentos e habilidades com capacidades iguais ou até melhores do que pessoas sem deficiência. Todo esse movimento nos ajuda muito a desenvolver um olhar empático. Nós nos tornamos muito melhores convivendo com esses profissionais. Foi um trabalho que nos conquistou, que nos encantou e que faz uma diferença enorme nas nossas vidas. Foi tudo muito natural pela cultura, pelo DNA na Padaria Real. Acredito que dá tão certo justamente porque é de verdade, porque é natural.

 

Ainda há caminhos para inovar no setor de padarias?

Acredito que sim. As inovações normais que já estamos vendo são especialmente ligadas à tecnologia: autopagamento, produção automatizada, sistema de pedido etc. Mas, apesar da forte transformação que a tecnologia está promovendo, ainda acredito que a grande inovação é conseguirmos promover experiências humanas. Estamos carentes de atenção, interesse e amor. A tecnologia nos ajuda, nos dá agilidade e uma experiência muito legal, mas acredito que o grande lance ainda é tocar a essência humana, porque assim inspiramos as pessoas. É algo que respiramos na Padaria Real e que gostaríamos de intensificar cada vez mais.