Entrevista do mês: Mandando a real com Marina Proença

Quero Inovar

Artigo - 12 de novembro de 2021

Por Sebrae-SP  | Empreendedorismo Feminino

Para Marina Proença, empreender é se arriscar e líderes devem estar em desenvolvimento constante

O líder do futuro, seja empreendendo ou dentro de uma empresa, vai precisar mais do que nunca de competências interpessoais e sociais que passam pelo aprendizado constante. A missão de Marina Proença, empreendedora e especialista em produto e marketing digital, é levar para o maior número de pessoas – especialmente mulheres – aprendizados sobre essas competências e também sobre a experiência de empreender no “mundo real”. Conhecida pelas participações no SP1, da TV Globo, Marina conta na entrevista a seguir sobre seu projeto de mentoria e sobre o mercado Favo, startup de “social commerce” que ela trouxe para o Brasil.

Você se define como uma empreendedora do “mundo real”. O que significa isso? 

Meu objetivo é quebrar questões idealizadas de perfeição quando falamos sobre empreender. Acredito que o empreendedorismo pode ser uma ferramenta importante de transformação social e geração de renda. Ser do mundo real tem a ver com idealizar menos, pois tudo tem seu lado bom e ruim. Empreender é assumir riscos e ter grandes desafios que dependerão apenas de você para resolvê-los. Requer aprendizado técnicos e emocionais.

Quais as principais competências que alguém precisa desenvolver para ser um empreendedor do futuro? 

As principais competências, além das técnicas, são as habilidades interpessoais e sociais. A primeira é a active learning (aprendizado ativo), uma consciência sobre quais habilidades técnicas e sociais é preciso desenvolver. Outra competência é a resiliência, a capacidade de aprender a lidar com o estresse. Ou seja, achar uma maneira de dar vazão para esse estresse, seja dando uma pausa no trabalho, meditando, fazendo alguma atividade, ficando com a família. Já as competências técnicas do empreendedor são: olhar para o planejamento financeiro do negócio, aprender a atrair e reter clientes e cuidar do seu produto.

A pandemia mudou o jeito de empreender? 

A pandemia teve um impacto importante no jeito de empreender. Toda digitalização que vemos ser necessária nos dias de hoje mudou depois da pandemia. Recentemente, uma pesquisa mostrou que 40% das empresas do mundo contrataram um desenvolvedor de software. Isso gera escassez de mão de obra em várias áreas, tanto de tecnologia quanto de produção de conteúdo nos canais digitais. Para empreendedores de qualquer área, temos de ter capacidade de entregar valor real para o cliente, com um olhar de sustentabilidade financeira dos negócios, junto ao olhar de canais digitais e uso da tecnologia.  

Você tem um trabalho de mentoria para quem quer empreender. Quais os principais desafios que você percebe no Brasil? 

Eu tenho uma comunidade de mentoria gratuita para mulheres, o Mentora.aí, que também tem um podcast, e é uma ideia conectada com liderança do futuro. O objetivo da mentoria é conseguir levar para mais pessoas, de forma acessível, todos esses diálogos que acontecem no universo das empresas de tecnologia. Existe uma necessidade muito grande de os profissionais se adequarem rapidamente. O desenvolvimento de produção de conteúdo digital e de inteligência artificial são temas novos, e mesmo que nós tenhamos o conhecimento técnico, muitas vezes não fazemos a passagem da habilidade social, então a mentoria é uma maneira de acelerar o caminho.

Você trouxe para o Brasil o mercado Favo, que é um sistema de venda direta. Como fazer para que esse modelo seja sustentável e inclusivo para quem empreende? 

A Favo conta com o modelo de “social commerce” que tem um pilar importante: a logística descentralizada. Somos um comércio eletrônico que compra direto das marcas encontradas no supermercado e vende para clientes finais, mas que compram por meio de um empreendedor que atua em sua microrregião. Nós chamamos de “last block” (a última quadra), e essa logística quem faz é o microempreendedor que atua localmente. Ou seja, todos os pedidos dos clientes que o empreendedor compra chegam em sua casa e ele distribui para os vizinhos no raio pequeno, ganhando uma comissão. Nós enxergamos que a sustentabilidade e o impacto social fazem parte do modelo do negócio. Essas pessoas trabalham 80% do tempo dentro das suas casas e só na hora da entrega saem para levar o produto para seus clientes. Pessoas eventualmente sem carro que atuam dentro de um condomínio com muita gente são capazes de gerar uma renda fazendo esse trabalho, empreendendo nessas microrregiões de forma muito sustentável, utilizando as horas dentro de casa com WhatsApp, redes sociais e a rede de vizinhos para poder fazer a distribuição desses itens, gerando conveniência e acesso a um preço muito mais barato. Então, de um lado a gente consegue promover economia para os vizinhos e do outro geramos renda por esse modelo.