Estratégia de jogo para o empreendedorismo

Quero Inovar

Artigo - 21 de junho de 2021

Por Sebrae-SP 

Campeão de pôquer, André Akkari fundou a FURIA, referência nos e-sports.

Empreender sempre foi o sonho de André Akkari. O empresário e investidor deu início à sua trajetória aos 16 anos, quando começou a trabalhar com promoção de festas universitárias. Já trabalhou como caixa de loja em shopping, montador de box para roupas no centro de São Paulo, abriu franquia de moda feminina etc., mas seu ponto de virada foi quando conheceu o pôquer, em 2005. Akkari se apaixonou pela modalidade, começou a participar de campeonatos, dar cursos e a empreender no meio – em 2011, chegou até mesmo a ser campeão de um torneio mundial realizado em Las Vegas (EUA).

Anos depois, em 2017, seu foco mudou para os e-sports – competições de jogos eletrônicos que movimentam um mercado bilionário. Tornou-se sócio fundador da FURIA E-sports, uma organização 100% brasileira com operações nos Estados Unidos e no Brasil. Hoje, a equipe é um dos maiores sucessos do meio e coleciona títulos, reconhecimento em vários jogos eletrônicos e luta por espaço e igualdade dentro dos esportes eletrônicos.

Na entrevista a seguir, Akkari falou sobre seu início nos e-sports, trouxe detalhes da operação e deu dicas para quem tem vontade de começar a empreender nesse mercado que ganha cada vez mais espaço.

Como surgiu a vontade de criar um time de e-sports e como funciona dentro dela?

Eu sou jogador profissional de pôquer há quase 17 anos. Durante esse período, eu sempre gostei de empreender. Criei portal de notícias sobre a modalidade e dava cursos online para quem se interessasse pelo pôquer. Em um certo momento da minha carreira, fui abordado por um pessoal dos e-sports, um setor que eu sabia que existia, mas do qual não tinha muito conhecimento. Recebi o convite para ser investidor e participar da empresa. Dessa forma, eu estava conectado e poderia conhecer mais do meio. Fui percebendo que os e-sports tinham bastante familiaridade com o pôquer, como a competição, a habilidade e o preparo mental.

Eu gostei bastante da ideia e acabou sendo um caminho sem volta. Eu me apaixonei pela modalidade pois ela permite viver a mesma adrenalina do esporte que eu gosto. Assistir a um jogo de Counter Strike causa a mesma sensação que ver um esporte tradicional, então eu fui me animando cada vez mais de estar dentro de um cenário competitivo e empreendedor. Uma organização de e-sports é também um movimento sociocultural. É assim que gostamos de chamar a FURIA. A gente usa da performance para ter voz, para que a gente possa falar e as pessoas ouvirem a gente.

Nós tentamos ganhar campeonatos, pois assim as pessoas dão atenção e podemos influenciá-las de maneira positiva. A FURIA começou há quatro anos com seis funcionários e hoje somos mais de 150, com 11 times em diferentes modalidades, e também com um setor de conteúdo e lifestyle.

Segundo a Newzoo, consultoria especializada no segmento de e-sports, o mercado projeta um crescimento de 14,5% neste ano. Isso abriu os olhos dos investidores e de outras pessoas que querem empreender nesse meio?

Eu acho que sim. Existe um debate muito grande sobre qual o momento em que o e-sport vai ocupar o lugar do esporte tradicional no mainstream e na grande mídia. Conforme isso vai acontecendo, as organizações, os eventos e os jogos vão ganhando cada vez mais audiência e mais relevância. Isso gera uma possibilidade de alavancagem muito grande para os investidores e, quanto mais cedo entrarem, melhor.

Hoje vocês também contam com músicos, jogador de xadrez, lutadora de MMA e até pilotos de corrida. Qual é o objetivo da FURIA com isso?

Nosso objetivo trazendo essas personalidades para perto é ser um movimento sociocultural de impacto. Queremos mexer com a cabeça do jovem de um jeito que a gente consiga trazê-lo para perto, para que assim a gente possa impactar com movimentos sociais e levantar assuntos que precisam ser discutidos. Quando você fala com esse pessoal sendo campeão de e-sports, a conversa fica diferente.

E nosso objetivo como marca é ganhar espaço e trazer mais audiência e reconhecimento para a FURIA. Quando aliamos a nossa marca a essas pessoas, estamos trazendo um público que não conhece a organização e dando oportunidade de crescimento para nós e para eles.

Você é profissional do pôquer e campeão mundial na modalidade. Como isso ajuda na hora de empreender?

O pôquer me ajuda extremamente na hora de empreender. Em todas as decisões que eu tomo com a FURIA, o conhecimento do pôquer me ajuda muito. Não só na parte profissional da coisa, mas sim em várias decisões da minha vida. Hoje, na FURIA, existem três jogadores profissionais e a gente se provoca o tempo todo. Isso ajuda muito, o jogo mostra como você é na sua vida.

Qual a dica que você dá para quem tem o sonho começar a trabalhar com e-sports?

Para quem tem o interesse de começar a trabalhar com e-sports, recomendo que tenha garra, tenha “fúria”. Estude e visualize as oportunidades. Eu estou com 46 anos hoje, mas quando eu tinha 42 eu não sabia nada desse universo. Só estou aqui porque eu aprendi muita coisa e ainda preciso aprender mais.

 

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