Inovação em jogo

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Artigo - 3 de setembro de 2021

Por Sebrae-SP  | empreendedorismo, Entrevista do mês

Eduardo Tega, cofundador da Sportheca, explica as novidades dos negócios no futebol

Dizer que o futebol é uma paixão nacional e que não se limita às quatro linhas são alguns clichês mais do que desgastados. Em 2021, o momento pede modernização e novidades. É isso que a Sportheca se propõe a fazer. Nascida em 2020, a empresa se apresenta como um centro focado em fomentar a produção de inovação e tecnologia no esporte. Segundo Eduardo Tega, cofundador da Sportheca, o futebol cada vez mais vai além do esporte e se confunde com entretenimento – especialmente em um cenário de pandemia e estádios vazios. Na entrevista a seguir, Tega, que tem master em governança no esporte pela UEFA (União das Federações Europeias de Futebol) e foi CEO da Universidade do Futebol, fala sobre os rumos do futebol como negócio.

Como é o modelo de negócio da Sportheca?

A gente sempre gosta de deixar claro que não somos uma aceleradora nem uma incubadora de startups. A Sportheca é o que chamamos de Startup Studio voltada para o esporte e o entretenimento. Nós trabalhamos com empreendedores e investidores do mundo todo para construirmos empresas valiosas, capazes de resolverem dores reais da indústria do esporte e de entretenimento global, e que possam ter rápida adoção por parte dos consumidores ou entidades desse segmento. A Sportheca é uma fábrica de tecnologia para auxiliar clubes, federações, ligas, empresas, investidores e, principalmente, startups na transformação que tanto sonhamos no esporte. Para isso, temos duas frentes: Startup Studio, uma estrutura composta por equipe de tecnologia e um time de especialistas que ajudam empreendedores a desenvolver negócios baseados em tecnologia e inovação com potencial para se tornarem startups de sucesso. A outra frente é o nosso Campus de Inovação, localizado na capital paulista, um espaço que abriga o Startup Studio e que conecta a indústria com as startups do esporte – também chamadas de sportstechs – e investidores.

Qual o trabalho da Sportheca com clubes e federações?

Nós desenvolvemos um produto chamado SuperApp que está hoje no Brasil e no exterior. É uma plataforma de engajamento e monetização do fã com o conceito de superaplicativo, no qual o torcedor pode consumir e interagir 100% com seu clube ou liga preferida, gerando big data e potencializando a geração de novas receitas para a entidade. O foco tem que ser levar os fãs e seguidores para plataformas próprias do clube, onde há controle sobre os dados e possibilidade de conhecer a fundo o perfil e o comportamento do consumidor.

Como a tecnologia pode aproximar o clube do seu público?

Bilhões de pessoas assistem futebol. Uma mínima parte vai aos estádios por várias razões. Alguns clubes já perceberam que são empresas de entretenimento que também fazem gols. Mas poucos conseguem atuar e gerar receita em escala por meio do digital. O futebol no Brasil e na América Latina, no geral, dá muita relevância às experiências físicas, principalmente ao “match day”. O jogo seguido de vitória talvez seja o conteúdo mais premium que o clube tenha a oferecer ao seu torcedor e é a forma mais fácil de entendermos como funciona a relação de valor entre o fã e o clube. Mas, para os clubes em estágio mais avançado de digitalização, o dia do jogo é só a cereja do bolo, a interação e o engajamento dos seus fãs acontecem antes, durante e depois da bola rolando.

O modo de se consumir futebol mudou?

Completamente! O que já sabemos é que o fã mais jovem consome futebol de uma forma diferente. As gerações mais novas buscam por conteúdos mais curtos e por demanda, highlights das jogadas principais, maior engajamento e mais emoção com o jogo. A sua atenção está sempre dividida com a segunda tela e a atenção desse fã passou a ser uma moeda valiosa na era digital, transformando a maneira como as pessoas consomem não só o futebol, mas o esporte em geral.

É uma tendência a gestão do futebol ser cada vez mais voltada para o entretenimento?

O futebol precisa virar entretenimento, falar com as diferentes tribos, que estão em diferentes canais, em diferentes contextos e formatos. A pandemia de Covid-19 acelerou o processo de digitalização dos clubes, emplacando novos hábitos e comportamentos no consumidor brasileiro, que passou a realizar atividades online que antes não eram tão comuns. Com o distanciamento dos torcedores de seus estádios, clubes e entidades esportivas em todo mundo se viram obrigados a criar experiências e conexão com os fãs de forma digital, sem ter o “match day” como ator principal.

Os torcedores atualmente podem ser vistos mais como clientes do que como fãs de seus times?

Partindo de uma visão mais contemporânea, o clube de futebol é também considerado uma empresa de entretenimento e que disputa a atenção com outras plataformas e entretenimento. Netflix, Fortnite, Globo Play, Amazon Prime, Disney Plus, todas elas buscam a mesma coisa: a atenção do consumidor. O tempo de tela é um indicador muito relevante, e quanto mais tempo o torcedor gasta na plataforma de um clube, mais ele está monetizando de alguma forma aquela

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