Segmento de beleza resiste à pandemia

Quero expandir meu negócio

Artigo - 30 de abril de 2021

Por Sebrae-SP  | Salão de Beleza, Segmento de beleza

Com foco em produtos e ajuste nas contas, empreendedores que trabalham com estética conseguem manter bons resultados

Além das preocupações com a saúde e com a economia trazidas nos últimos 12 meses pela pandemia de Covid-19, pequenos detalhes passaram a fazer parte da vida das pessoas que estavam – e ainda estão – respeitando o distanciamento social. Desses detalhes, um dos principais era a dificuldade em conseguir manter os cuidados com a própria aparência, afinal, salões de beleza e clínicas de estética precisaram fechar as portas ou restringir seu funcionamento durante os períodos mais críticos da pandemia.

Se de um lado estão os clientes buscando dicas na internet de como cortar os cabelos em casa, de outro estão pessoas como Ana Paula Miqueleto, fundadora da Lip Depil Estética, localizado em Bauru. Empreendedora no ramo há quase dez anos, ela conta que, apesar do baque causado pelo coronavírus, já havia passado por crises antes. “Passamos por um momento difícil em 2013, e desde então eu já havia começado a trabalhar na redução de custos da empresa para que pudéssemos continuar na ativa sem afetar muito os preços”, relembra.

Então, quando as más notícias para os negócios começaram a ser divulgadas no início de 2020, a proprietária da Lip Depil colocou na sua cabeça como deveria agir. “Quando a pandemia chegou, eu comecei a correr atrás de todos os custos de funcionamento que poderiam ser reduzidos. Consegui reduzir o aluguel, algumas medidas governamentais ajudaram a baixar o valor de impostos e os funcionários também passaram a ser amparados por programas do governo”, explica Ana Paula. A busca por soluções que preservem a saúde financeira das empresas desse setor é essencial. Segundo a “9ª Pesquisa Impactos da Covid-19 nos Pequenos Negócios no Ramo de Beleza”, realizada pelo Sebrae Nacional, em dezembro de 2020, 42% das empresas entrevistadas possuíam algum tipo de dívida ou empréstimo em atraso realizado para manter o funcionamento.

Mais do que a redução de custos, o bom planejamento das finanças foi o que salvou Ana Paula de fazer parte dessa estatística. “Eu sempre tive medo do meu negócio falir, isso fez com que tivesse um fluxo de caixa muito seguro, tanto que no meu planejamento trabalho com um valor que consegue me manter tranquila por uns cinco ou seis meses. Lá atrás, quando comecei a empresa, foi uma das coisas que aprendi em cursos do Sebrae sobre como manter esse resguardo”, conta.

FRANQUIAS

Quem também buscou soluções para reduzir custos, mas, nesse caso, para os franqueados de sua marca, foi Kelly Nogueira, fundadora das franquias Espaço Nails e Espaço Make. Assim que percebeu que a situação da pandemia se encaminhava para o fechamento das atividades não essenciais, a empresária se adiantou em abordar o tema com todos os franqueados para que estivessem prontos para passar por esse momento juntos. “Eu conversei com todos aqueles que já tinham lojas abertas e suspendi os valores de royalties e de marketing para esses franqueados para que não tivessem essa preocupação. Eu me prontifiquei para demonstrar que passaríamos por isso juntos, afinal também possuo algumas lojas próprias”, relata. Kelly também conta que sua posição como proprietária de uma marca não eliminou todas as aflições que a pandemia estava causando nos empreendedores. “Todas as preocupações que meus franqueados estavam apresentando, eu também tinha. Durante meu período de distanciamento social, bateu um certo desespero, porque sempre me pegava pensando como seria a retomada”, lembra.

RESULTADO POSITIVO

Para uma série de profissionais que precisavam de uma solução rápida para se recolocar durante a pandemia, investir em uma franquia no setor de beleza se mostrou uma decisão acertada. Exemplo disso foi o que aconteceu com Andreia Rosa, atual proprietária de uma loja franqueada da Espaço Nails, situada em um shopping de São José dos Campos. Ela perdeu seu emprego em março de 2020 e precisava encontrar uma maneira de continuar durante esse período. “Começar algo no ramo de estética e beleza sempre foi uma vontade, mas eu não tinha nenhuma formação nisso. Meu plano era abrir uma esmalteria na região, então decidi unir o útil à minha necessidade da época”, afirma. Os planos começaram ainda com o comércio fechado, o que exigiu uma série de conversas não apenas com a dona da franquia, mas também com o shopping em que a loja está instalada para seguir com a montagem do local. Atualmente, a empresa de Andreia está aberta há quatro meses e ela relata que, mesmo com as incertezas sobre a pandemia, está satisfeita com o mercado escolhido. “Empreender nem sempre é uma tarefa fácil, mas eu percebo que esse mercado tem uma possibilidade de crescimento. Nosso principal público-alvo são mulheres que buscam frequentemente estar com seus cuidados pessoais em dia, independentemente da situação”, conta.

Mesmo em meio à crise, o setor de franquias registrou resultado positivo durante 2020. Estudo realizado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) mostrou que as marcas do ramo de saúde, beleza e bem-estar ainda faturaram cerca de R$ 34,7 bilhões. Isso representa uma variação no faturamento de 3,9% quando comparado ao mesmo período entre 2018 e 2019.

Para a consultora do Sebrae-SP Maisa Blumenfeld Deorato, as franquias da área de beleza conseguiram obter esse número positivo por abrangerem diversos produtos, além do serviço dos salões. “Quando falamos em franquias de beleza, estamos incluindo também clínicas de estética e empresas que têm rede de varejo. Dessa forma, para esses negócios que não exigem tanto o negócio presencial, a venda online foi benéfica”, diz. Porém, isso não impediu que salões e clínicas também buscassem suas saídas para o momento. “Se olharmos para a indústria de beleza, os produtos como álcool em gel, sabonetes especiais e lenços de papel foram destaque. Uma saída que os salões e clínicas encontraram, por sua vez, foi a venda dos produtos em estoque, bem como a venda de vouchers para clientes mais fiéis dos estabelecimentos”, lembra a consultora.

EMPREENDER COM ESTÉTICA

Para quem está começando:

– Antes de abrir a empresa, faça uma pesquisa e desenhe um bom plano de negócios, com uma análise de investimento.

– Conheça o público-alvo, estude se a sua localização atende bem seus futuros clientes.

– Comece o negócio com ferramentas de gestão, como softwares, que ajudarão no controle do fluxo de caixa.

– Busque capacitação na área além do seu conhecimento. Isso funcionará com um diferencial para o seu negócio. Para quem já é da área

– Estude novos nichos de mercado. Por exemplo, pense em soluções para pessoas com idade mais avançada, em que os cuidados precisam mesclar com cuidados de saúde, ou de procedimentos com produtos sustentáveis e que não são testados em animais.

– Conheça bem os números da sua empresa. Ao entender questões como tíquete médio, fluxo de caixa e os custos fixos e variáveis, será possível traçar metas que permitam dizer quantos clientes ou procedimentos são necessários para encontrar o ponto de equilíbrio financeiro.

– Esteja presente em mídias sociais, mais do que nunca neste momento de pandemia. Busque informações sobre marketing digital e invista no contato com seus clientes.

– Pesquise bem os fornecedores. Existem marcas nacionais que estão fora do circuito mais conhecido e que podem gerar uma boa parceria para seu salão de beleza/clínica de estética.

Fonte: Maisa Blumenfeld Deorato, consultora do Sebrae-SP.

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