Sócia da Insecta Shoes fala sobre a criação e expansão da marca de calçados veganos

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Artigo - 22 de fevereiro de 2021

Por Sebrae-SP  | empreendedorismo, Expansão do negócio

Para 2021, Bárbara Mattivy planeja crescimento no digital, teste de novos produtos e evolução no cálculo de impacto da empresa como um todo

A Insecta Shoes nasceu em 2014, no Rio Grande do Sul, com uma proposta muito bem definida: ser ambientalmente responsável. Os sapatos da marca são veganos e ecológicos. Todos os modelos são feitos com a reutilização de roupas vintage, garimpadas em diferentes locais ou com tecido ecológico feito com garrafas pet recicladas. O solado é de borracha reaproveitada e os demais materiais usados vêm de excedentes da indústria. Outra característica é que os calçados são todos unissex.

Durante a pandemia, a produção foi diversificada, passando a incluir novidades como pantufas – adequadas para serem usadas em casa – e a linha de tênis, um dos itens mais pedidos pelos consumidores da marca. A Insecta não tem fábrica própria. A equipe é formada por 16 funcionários e, de forma terceirizada, produz cerca de 2 mil pares por mês. Além das duas lojas em São Paulo, a Insecta também está em Brumadinho e Goiânia. No ano passado, cruzou a fronteira e começou a vender seus produtos – por intermédio de lojistas parceiros – na Alemanha, França, Espanha, Israel, Estados Unidos e Canadá. Em 2019, a Insecta registrou faturamento de R$ 3,8 milhões. A sócia-proprietária Bárbara Mattivy contou para o Jornal de Negócios um pouco mais sobre a marca.

O que motivou a criação de uma marca vegana?
A marca surgiu de forma bem espontânea. Na época eu tinha um brechó, e minha cofundadora tinha uma marca de calçados que usava o excedente de tecido da indústria calçadista. As duas já tinham a preocupação com o pós-consumo, e de uma parceria onde transformamos as roupas de brechó em sapatos, nasceu a Insecta. Com aqueles produtos em mãos, fez muito sentido que criássemos uma nova marca 100% vegana, mais inovadora e ecológica. Sustentabilidade é um tema superabrangente e veganismo faz parte também dele.

Além da matéria-prima, obviamente, qual a grande diferença de empreender com produtos veganos?
O material realmente é onde está o maior impacto, mas tem também o processo produtivo na fábrica, que deve levar em conta uma produção 100% vegana, e todo o restante da rede produtiva e de distribuição. A grande diferença é que você está considerando o bem-estar dos animais em todos os pontos de con- tato da empresa, desde a concepção do produto até a comunicação.

Como é o processo para obtenção da matéria-prima?
Para a linha vintage, que são os sapatos feitos com roupas de brechó, garimpamos as peças uma a uma, visitando brechós e fazendo essa curadoria. Para as outras linhas, usamos tecidos lineares ecológicos e reciclados e estampamos com as ideias do nosso time criativo. Além disso, para o restante do material (solado, cadarço, palmilha etc.) tentamos garantir que o máximo dos componentes seja de origem reciclada e tudo, sempre, livre de crueldade, é claro.

Qual o perfil do consumidor da Insecta?
É uma maioria de pessoas ecologicamente conscientes? São jovens adultos urbanos que têm algum tipo de consciência ambiental, sim. Levam uma vida mais consciente e estão bus- cando sempre aprimorar suas escolhas, seja por meio da redução do lixo, do veganismo ou às vezes até mesmo reduzindo o consumo de carne e derivados.

A pandemia teve muito impacto nos negócios da Insecta?
Sim. Acho que são muito poucos os negócios que não foram impactos, não é? Até hoje existe falta de matéria-prima disponível, e isso atrasa nossa produção, por exemplo. Tivemos de fechar duas lojas físicas na época de quarentena, isso impactou o faturamento. Nosso time migrou todo para o trabalho remoto. Positivamente, conseguimos agir rápido e lançamos produtos para as pessoas ficarem em casa de Insecta (chinelos e pantufas). Recebemos muito apoio da nossa comunidade e, como já tínhamos o canal digital fortalecido, conseguimos crescer por meio dele. Sou muito grata pela confiança que todos depositaram na gente nesse momento.

Como foi a internacionalização da marca?
Recebemos um convite do consulado canadense para levarmos a empresa para lá, e começamos tudo de forma bem enxuta, como fizemos no Brasil, focando primeiramente nas vendas online e com a menor operação possível, até que o mercado se mostrasse promissor e nossa ideia fosse validada. Em abril de 2021, completaremos dois anos de operação internacional, temos crescido bastante, mas ainda tem muito trabalho para fazermos nessa frente.

Quais os próximos passos da empresa?
Para 2021, queremos crescer no digital, testar novos produtos e evoluir o cálculo de impacto da empresa como um todo. Em três anos, queremos inaugurar a fundação Insecta, que receberá parte do resultado da empresa para se dedicar a uma causa de impacto socioambiental.

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